O Corpo Não Mente: entender o burnout antes que ele grite
Há um momento, muitas vezes silencioso, em que deixamos de sentir cansaço e começamos a sentir vazio. Não é a mesma coisa.
Há um momento, muitas vezes silencioso, em que deixamos de sentir cansaço e começamos a sentir vazio. Não é a mesma coisa. O cansaço pede uma noite de sono. O vazio pede uma pausa muito mais profunda — e é aí que começa, quase sempre sem aviso, o burnout.
Falamos hoje sobre este tema porque é, talvez, o pedido mais frequente e mais silencioso que recebemos: pessoas que chegam até nós não a pedir um retiro, mas a pedir para voltar a sentir-se elas próprias.
O que é, na verdade, o burnout
O burnout não é preguiça, nem falta de força de vontade — é o resultado de um sistema nervoso que esteve, durante demasiado tempo, em estado de alerta. A Organização Mundial de Saúde reconhece-o como um fenómeno ocupacional, resultante de stress crónico no local de trabalho que não foi gerido com sucesso, e descreve-o através de três dimensões: exaustão de energia, distanciamento mental em relação ao próprio trabalho e uma redução notória da eficácia profissional.
Mas o burnout raramente fica contido ao trabalho. Espalha-se. Entra nas relações, no sono, na forma como já não conseguimos ler um livro até ao fim, ou como uma conversa simples nos parece, de repente, exigente demais.